sexta-feira, 18 de maio de 2007

Visão geral de artrologia

Ao final deste trabalho temos a certeza de que enriquecemos nosso conhecimento sobre artrologia e que nosso blog poderá contribuir para que outras pessoas, acadêmicos ou não, tenham uma noção geral do assunto.

Vemos o sitema locomotor como uma máquina em que ossos, músculos e ligamentos se interagem para possibilitar o movimento e que as articulações são como as engrenagens que possibilitam uma melhor congruência e deslizamento entre as superfícies articulares.

Esta figura representa nossa visão geral e final.



Referências bibliográficas:

  • Junqueira e Carneiro; Histologia Básica. 9ª ed.; Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1999.
  • Piermattei, Donald. L., FLO; Manual de ortopedia e tratamento das fraturas dos pequenos animais. 3ª ed.; São Paulo; Manole, 1999.
  • Apostilas e explicações dos professores da disciplina Ciências Morfológicas I.

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Anormalidades da cartilagem e articulação


Dor, deformidades e disfunção dos membros podem resultar de fisiologia imprópria da articulação. Muitas condições articulares agudas podem progredir para a ósteo-artrose crônica. O objetivo do ortopedista é minimizar ou parar estas alterações. Na ósteo-artrose crônica, o objetivo é minimizar o desconforto do paciente e melhorar a função do membro.




Definições

  • Artrite: A definição simples de artrite é a inflamação de uma articulação. Muitas condições ortopédicas crônicas em medicina veterinária não possuem nenhum componente inflamatório apreciável a longo prazo do revestimento sinovial. Desta maneira, o termo "artrite" é denominação imprópria, porém está tão integrado no uso popular geral que infelizmente persiste.

  • Artrose: O termo artrose refere-se a condição articular degenerativa não-inflamatória caracterizada por ausência de inflamação no revestimento sinovial e pela presença de líquido sinovial normal ou próximo ao normal.


  • Ósteo-artrite (ósteo-artrose): A artrite comum observada em medicina veterinária é uma degeneração lenta e progressiva da cartilagem, com produção de osteofitos, geralmente causada por traumatismos ou microtraumatismos (uso anormal). Existe inflamação muito discreta do revestimento sinovial (e desta maneira pequenas alterações no líquido sinovial) comparada a afecçções articulares mais inflamatórias. A resposta sinovial é a base para a classificação da afecção articular. Devido ao fato de serem degenerativas e não inflamatórias, um termo mais apropriado seria ósteo-artrose ou moléstia articular degenerativa (MAD).


Classificação das afecções articulares


As afecções articulares são classificadas da seguinte maneira:


  • Afecção articular não-inflamatória:

1. Moléstia articular degenerativa (MAD), ósteo-artrite, ósteo-artrose

a) Primária

b) Secundária

2. Traumática

3. Neoplásica

  • Afecção articular inflamatória:

1. Infecciosa
2. Não infecciosa

a) Imunológica

_ Erosiva

_ Não erosiva


Afecção articular não-inflamatória
Ósteo-artrose

  • Moléstia articular degenerativa primária: A MAD é a degeneração da cartilagem em indivíduos idosos que ocorre por razões desconhecidas que não sejam o uso ou desgaste provenientes da idade. Nos seres humanos, entretanto, mostrou-se que a cartilagem do idoso não apresenta as mesmas alterações que a cartilagem ósteo-artrótica. Conseqüentemente, existem contradições em vários dados histoquímicos e bioquímicos devido aos tipos de cartilagem anormal que são analisados e não identificados como sendo fontes. A maioria das pessoas mais velhas de 40 anos possuem algum grau de degeneração na articulação coxofemoral, joelhos ou articulações interfalangianas dos dedos (nódulos de Heberden). Gerou-se muitos interesses nestes fenômenos na medicina humana. Os animais são úteis como modelos de pesquisa para a ósteo-artrose. O modelo ideal para a MAD deve começar com a perda da matriz cartilaginosa e deve progredir para a fissuração, fibrilação, erosão da cartilagem, esclerose subcondral, produção de osteofitos e inflamação sinovial branda.


  • Moléstia articular defenerativa secundária: A MAD secundária desenvolve-se secundariamente a condições conhecidas que afetam a articulação e estruturas de suporte. Isto talvez seja o tipo mais comum observado em animais de pequeno porte.


Ósteo-artrose em cães



A maior parte da experiência com ósteo-artrose é em relação aos cães; o gato raramente apresenta ósteo-artrose, exceto após lesões evidentes. A displasia coxofemoral vem sendo esporadicamente diagnosticada em gatos. Nos cães ou gatos a ósteo-artrose geralmente não é idiopática ou primária. Ela em geral é secundária a traumatismos, articulações instáveis, mal-alinhamento ou defeitos de conformação ou condições congênitas, tais como a osteocondrite dissecante e displasia coxofemoral.










O sinal mais proeminte de dor nos membros na ósteo-artrose é a claudicação. A claudicação ou marcha diferente podem ocorrer em outras condições, tais como membro encurtado (sem dor), disfunção mecânica (ectopia patelar, contratura do músculo supra-espinhoso), um membro rígido (geralmente com fratura prévia), problemas neurológicos ou fraqueza neuromuscular.

Fonte: www.agilitynews.com.br


Fonte: www.agilitynews.com.br




Radiografia da esquerda sem displasia e a da direita com displasia coxofemoral

Fonte:www.dogtimes.com.br


A questão de quando a obesidade contribui para o desenvolvimento da ósteo-artrose é pertinente em medicina veterinária. A maioria dos cães artríticos observados são obesos. O bom senso nos diz que um peso extra na articulação contribui para a abrasão e degeneração da cartilagem mais rapidamente. Por exemplo, filhotes hipernutridos com potencial para a displasia coxofemoral mostram maior afecção articular degenerativa do que aqueles sob dietas restritas, entretanto, isto não indica que a dieta foi a causa da displasia coxofemoral. Em casos de rupturas do ligamento cruzado, a impressão clínica é a de que cães maiores desenvolvem osteofitos com maior rapidez do que os cães de porte menor. Isto também pode estar relacionado ao fato de que cães de porte menor podem "sustentar" ou poupar o membro, resultando, desta maneira, em menores lesões decorrentes da sustentação do peso. Em alguns casos, cães com dor crônica desorrente da ósteo-artrose parecem melhorar apenas com a redução do peso.

Fonte: www.agilitynews.com.br


A ósteo-artrose raramente é observada (radiográfica ou patologicamente) em cães muito novos, quando comparados com adultos.




  • Moléstia articular traumática: Condições traumáticas evidentes envolvem deslocação (luxação), instabilidade devido à ruptura ligamentar e fraturas. Elas são categorizadas sob afecções articulares degenerativas articulares adquiridas.


  • Afecção articular neoplásica: As neoplasias são raras. De 1952 a 1978 houve apenas 29 casos em cães e três em gatos relatados na literatura. Os tumores primários são chamados de sinoviomas, sarcomas sinoviais ou tumores das células gigantes. Estes tumores primários são caracterizados por aumentos de volume de crescimento lento em uma articulação, que ocasionalmente cusa dor durante o movimento da articulação. Podem haver depósitos de cálcio dentro do tecido mole. Mais tarde há destruição do osso cortical adjacente acompanhada por destruição do osso esponjoso. O tumor pode aparecer encapsulado, porém freqüentemente existem extensões para os planos fasciais e tecidos cicunvizinhos, resultando em taxa de recidivas após a excisão.


Articulação articular inflamatória



As afecções inflamatórias articulares causadas por infecção ou fatores imunológicos não são raras na prática de animais de pequeno porte, porém elas ocorrem com pouca freqüência. Estas condições são caracterizadas por inflamação da membrana sinovial com resultantes alterações no líquido sinovial. A claudicação e marcha prejudicada são os sinais observados com maior freqüência. Os sinais sistêmicos podem incluir febre, letargia, anorexia e leucocitose.



Afecções inflamatórias

Artrite



As infecções articulares geralmente são causadas por bactérias que penetram na articulação tanto por meio de feridas penetrantes ou pela corrente sangüínea. Felizmente, estes exemplos são raros, porém quando uma infecção ocorre, ela pode ser devastadora para a articulação. Todas estas infecções resultam em danos cartilaginosos graves e amplamente disseminados. Outras bactérias podem não produzir enzimas destrutivas e lesões permanentes disseminadas podem não ocorrer.




Caprino infectado pelo vírus da CAE apresentando a forma clínica articular da enfermidade: artrite da articulação do carpo, atitude, postura e aprumos anormais
Fonte: http://www.biologico.sp.gov.br/



Afecções não-infecciosas


Afecção articular imunológica


Acredita-se que as condições articulares são o resultado de mecanismos imunes que podem ser divididos naqueles que promovem a erosão da cartilagem (artrite reumatóide) e naqueles que não promovem a erosão (lúpus eritematoso sistêmico). Estas condições estão se tornando melhor conhecidas em medicina veterinária à medida em que se ampliam a literatura que descreve casos clínicos e as ferramentas diagnósticas.



  • Afecção inflamatória erosiva (artrite reumatóide): A artrite reumatóide é definida como poliartrite grave e freqüentemente progressiva de etiologia desconhecida. Ela foi primeiramente descrita no cão em 1969, e desde então houve descrições de outros casos. Pode ocorrer como sinais e sintomas: depressão, febre e anorexia com ou sem claudicação. A tumefação das articulações pode ser sutil ou evidente. Freqüentemente mais de uma articulação pode estar afetada.


  • Afecção inflamatória não erosiva: Estas condições articulares envolvem três categorias de afecções: LES, aquelas associadas a processo infecciosos crônicos, e condições idiopáticas. Os sintomas podem mimetizar a artrite reumatóide, porém as erosões são raras e ocorre o envolvimento sistêmico. Claudicações e fraqueza são comuns. São o lúpus eritematoso sistêmico e a artrite com afecção infecciosa crônica concomitante.

Osteocondrose



A osteocondrose é um distúrbio da diferenciação celular no crescimento das placas metafisárias e cartilagem articular, ou seja, é um distúrbio esquelético generalizado da ossificação endocondral, no qual tanto parte da epífise (placa epifisária) quanto camadas inferiores da superfície articular falham em amadurecer dentro do osso em faixa simétrica. Isto resulta em áreas focais de cartilagem espessada que são predispostas a lesões. Caso esta condição resulte na dissecção de retalhos ou cartilagem articular com algumas alterações articulares inflamatórias, ela pode ser chamada de "osteocondrose dissecante" (OCD). Esta condição é muito comum em muitas espécies animais. O cão, animais de raças de porte médio, grande e gigante são afetados. Através da compreensão da origem destas lesões, o veterinário pode planejar um tratamento racional para esta condição em vários estágios e graus de gravidade.




Presença de discreta área radiopaca em região distal ao maléolo medial da tíbia

Fonte: http://www.cibelefcarvalho.vet.br/




Destacamento de um fragmento ósseo da superfície articular com ou sem área de radiolucência no osso subcondral correspondente

Fonte:http://www.cibelefcarvalho.vet.br/

Micromorfologia sob nosso ponto de vista

Cartilagem Hialina

Cartilagem Fibrosa
Líquido Sinovial

Tecido Conjuntivo Fibroso